2016
Set
30

Eleições e Internet: uma relação ainda frustrada

E o prêmio de grande frustração destas eleições fica, mais uma vez, para a Internet.

 

Ao menos desde 2010, na euforia que se seguiu à eleição de Obama, vaticina-se que a Internet será a nova arena da disputa eleitoral no Brasil.

 

Naquele ano, cuidava do jurídico da campanha da Marina Silva à Presidência da República. Todos apostavam que seria por meio da Internet que se conseguiria crescer e, principalmente, arrecadar recursos.

 

Deu-se com os burros n´água. A campanha investiu mais com a estrutura de arrecadação do que o valor doado.

 

Nas eleições seguintes, sempre nos meses que as antecederam, ouvia-se os sábios de sempre pregando que o futuro havia chegado. Que à partir dali o bolorento horário eleitoral gratuito estava fadado ao ocaso, substituído que seria pelas redes sociais.

 

Até agora a profecia não se concretizou.

 

Paulatinamente a Internet penetra nos lares e vidas dos brasileiros. Em 2014, dados mais atuais disponíveis, superou-se a marca de 50% dos lares com acesso.

 

Ainda assim, a Internet se presta quase exclusivamente à animação das torcidas.

 

Neste mundo de redes sociais, vivemos no DataBolha; aquele círculo fechado de pessoas que pensam como nós, cujas postagens são incessantemente expostas em nossos murais pelos algoritmos que só nos querem felizes e… que sigamos usando as redes sociais.

 

Afinal, nada seria mais enervante do que ver o outro lado, quem pensa diferente. Daí porque felicitamo-nos alimentando nossas certezas com as opiniões concordantes dos iguais.

 

Cada grupo fala apenas para seus pares. Isso é torcida, não política.

 

A imagem que ilustra esse post é um grafo, uma reprodução visual das interações nas redes sociais. Esse, especificamente, reproduz a repercussão do impeachment nas redes sociais até abril/2016.

 

Em azul, os favoráveis; em laranja e vermelho, os contrários.

 

A quase inexistência de pontos de contato exemplifica o que digo aqui.

 

Por mais que se critique os velhos meios, televisão e rádio, ainda é neles que se ouve todos os lados, ao menos com a propaganda eleitoral.

 

Se a Internet seguir cada vez mais como sinônimo de redes sociais, acho difícil que esse panorama se altere nas próximas eleições.

 

grafo-impeachment

Fonte: http://dapp.fgv.br/analise-evidencia-divisao-politica-nas-redes-sobre-impeachment/

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