2016
Jun
25

Enduro e o pêndulo da História

A retomada de pautas moralmente conservadoras nas sociedades ocidentais, com o refluxo da noção de laicidade, representa apenas uma faceta do giro de tendência pelo qual passamos.

Politicamente, candidatos, partidos e propostas alinhados às franjas da direita ganham espaço. Bolsonaro, Trump, Le Pen. A extrema direita com força no leste europeu, na Áustria, Holanda. UKIP, Brexit, Boris Johnson.

Na América do Sul a chave deu a volta em pouco tempo. Da onda vermelha que varreu o continente há mais de uma década, restam o já podre Maduro, o claudicante Morales e Bachelet (mantém-se a parte o exemplar Uruguai, infelizmente uma bem sucedida e irrepetível experiência).

A imigração, que salvou outrora a Europa e os Estados Unidos, torna-se a vilã de uma nova era de nacionalismos atávicos.

Direitos Humanos, fundamento da Era Dourada do capitalismo, tornam-se os estorvos dos “humanos direitos”; os custos dispensáveis de quem quer competir com a China.

Pois é, sempre me identifiquei com uma visão pendular da História.

As constantes idas e vindas das ondas progressista e conservadora deveriam servir para tirar as certezas dos fatalistas de ambos os lados. De Marx a Fukuyama, é preciso entender que a História não tem fim.

Como no velho Enduro, inesquecível jogo do Atari, o ciclo sempre recomeça. As fases apenas vão se sucedendo. E ficando mais difíceis.

Mas como está difícil essa atual. Neblina à noite, com neve, ninguém merece… Que venha a próxima!

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